O dito não ouvido nas campanhas online: o que os candidatos não respondem

eleicoes - rede

Por Ronaldo Araújo [1]

O uso do ciberespaço enquanto local para manifestações cívicas e participação política não é novidade alguma, assim como o uso dos ambientes digitais para campanhas eleitorais. O caráter relacional e colaborativo proporcionado por plataformas online oferecem novos elementos para se (re)pensar a comunicação política.

Campanhas políticas nesse ambiente possibilitam ao eleitor, além de obter informação sobre questões relativas ao seu candidato, como suas propostas, o poder de se engajar no debate político e na prática participativa democrática, tendo uma formação diferenciada sobre as questões políticas de seu interesse.

Ainda que o uso da web em campanhas eleitorais possua potencial democrático e participativo, a maioria das pesquisas desconsidera o engajamento cívico e se concentra mais no gerenciamento da campanha. Assim temos um monitoramento centrado na figura do candidato (como polo emissor privilegiado) e sua desenvoltura, tendo como referência sua atuação (frequência de mensagens enviadas, tipo de mensagens, evolução de seguidores, etc) e a comparação com o desempenho de seus concorrentes.

Mas as ferramentas de comunicação têm capacidade de proporcionar a candidatos e eleitores espaços para maior aproximação e estabelecimento de diálogos que tragam maior legitimidade às pretensões eleitorais de agentes do campo político [2].  Ao refletir sobre os possíveis diálogos, devemos lembrar que uma campanha bem gerida nas mídias sociais como o Twitter, por exemplo, deve estar atenta àquilo que seus seguidores publicam ou solicitam. E tendo em vista a almejada mobilização e engajamento à ação de atender as solicitações “podem fazer com que os usuários contemplados por uma resposta ou comentário se sintam pertencentes àquela campanha e se engajem com maior disposição e eficiência em prol de uma candidatura [3].

No geral as pesquisam revelam haver ainda o desafio da interação com baixa responsividade por parte dos candidatos, seja pelo reduzido número de mensagens com menções a outros usuários ou devido a poucas respostas a menções recebidas. Ao atentar para esses aspectos nossa pesquisa se interessa em saber sobre o “entre”, com foco na relação, na interação, e procura responder questões do tipo: o quanto os candidatos são mencionados durante a campanha? Qual seu índice de responsidade? O que respondem? O que não respondem? Será que existe algum padrão de perguntas não respondidas?.

Responder a esses questionamentos nos dará condições também de traçar um olhar sobre a participação política no que tange à interatividade e engajamento durante o período eleitoral de 2014.  O estudo está sendo discutido no Grupo de Pesquisa em Política e Tecnologia de Informação e Comunicação (GPoliTICs) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), grupo que integra o Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital (CEADD).

Serão monitoradas, por meio do uso do BrandCare, a conta dos principais candidatos ao governo do Estado de Alagoas, bem como as menções que os mesmo recebem. Ao longo do desenvolvimento da pesquisa e do monitoramento serão apresentadas extratos e resultados parciais.

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[1] Mestre (2009) e Doutorando em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Graduado em Ciência da Informação (2006) pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Pesquisador do Grupo de Pesquisa em Política e Tecnologia de Informação e Comunicação (GPoliTICs – UFAL). Sua pesquisa sobre participação política, interatividade e engajamento online nas eleições estaduais de Alagoas é apoiada pela Social Figures, através do plano acadêmico do BrandCare.

[2] MARQUES, F. P. J. A.; SAMPAIO, R. C.; AGGIO, C.. Do clique à urna: internet, redes sociais e eleições no Brasil. Salvador: Edufba, 2013.

[3] AGGIO, C.. As campanhas políticas no Twitter: uma análise do padrão de comunicação política dos três principais candidatos à presidência do Brasil em 2010. In: Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política, 2011. Anais. Rio de Janeiro, RJ: IV Compolítica, 2011, v.4, p. 1-24. Disponível em: < http://www.compolitica.org/home/wp-content/uploads/2011/03/AGGIO-Camilo.pdf>. Acesso em 5 nov. 2012.

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