Mídias Sociais, Conteúdo e Campanhas Políticas Regionais

Durante as eleições de 2014, tivemos o prazer de conhecer profissionais realizando campanhas eleitorais de diversos níveis, ajudando equipes políticas a entenderem melhor os anseios e necessidades dos eleitores. Recebemos um relato de Yuri Amaral, publicitário que gerenciou a campanha em mídias sociais para um candidato à deputado federal no Paraná. Segue a sua colaboração abaixo:paranáTrabalho há algum tempo com comunicação, mas só este ano tive a oportunidade de participar de uma campanha política. Um vereador local me convidou para trabalhar em sua campanha para deputado federal. Aceitei a oferta, principalmente por acreditar em seu trabalho e candidatura. Minha missão era coordenar um time para desenvolver conteúdo para seus canais – oficiais – e orientar o conteúdo produzido por ele – pessoais, além de monitorar adversários e o cenário político regional e paranense. Uma curiosidade: buscamos trabalhar com termos como eleitorado ao invés de usuário, e adversário, ao invés de concorrência. Mudança sutil, porém necessária para enaltecer o objetivo pelo qual trabalhávamos ali. O time era composto por dois redatores (um deles jornalista), um diretor de arte, um analista e um relacionamento. Felizmente, a campanha nas mídias sociais foi tranquila e teve resultados bastantes positivos, sem crises ou manifestações negativas por parte de usuários/eleitores. Desde seu primeiro mandato como vereador, o candidato foi pioneiro na cidade em disponibilizar online, em seu blog pessoal, projetos dos quais participava, matérias sobre os debates na Câmara, opinião sobre a cidade, etc. Ele já era um produtor ativo de conteúdo, com público consolidado, o que representou total diferença em nosso percurso. Assim, nosso maior desafio era manter um ritmo de 3 a 5 postagens diárias divididas entre postagens referentes ao seu programa político, enviadas pela equipe do candidato (outras frentes da campanha), sobre o cenário (regional e estadual), das visitas nos bairros e outras cidades e sobre seu histórico político. social network sites brandcareA estratégia se baseava em usar cada um dos canais de uma maneira que não se repetisse conteúdo neles. Dessa forma, definimos:
  • Instagram: apenas fotos das visitas, comícios, eventos, cafés, vida pessoal. Nada de artes ou conteúdo planejado ou de postagens muito frequentes. A voz deveria ser em primeira pessoa, pois era ele mesmo postando. Replicamos alguns posts no facebook e no twitter e convidávamos, vez ou outra, os usuários dos outros canais a acompanharem o a rotina do candidato por lá.
  • Twitter: infelizmente, seu perfil não possuia uma quantidade expressiva de seguidores e engajamento, e o canal tornou-se replicador dos conteúdos de outros canais.
  • Facebook: foi o principal canal utilizado, variando de 3 a 5 postagens diárias durante a semana. Aqui, a linguagem utilizada foi na terceira pessoa e, em alguns casos bastantes particulares, falava-se na primeira pessoa, geralmente quando o texto era enviado pelo próprio candidato.
  • Blog: alimentado diariamente pela equipe da campanha e pela sua própria equipe. Os textos eram replicados no twitter e no facebook.
  • Página pessoal: o candidato foi orientado em como se pronunciar em seus perfis, quais conteúdos compartilhar e como interagir com o eleitorado.
Já em relação ao relacionamento com o público, respondíamos a todos os comentários como #Equipe, porém o candidato gostava de responder algumas pessoas pessoalmente, principalmente quando era necessário debate ideológico. Nas primeiras semanas, o volume era relativamente baixo, variando de 1 a 30 comentários, conforme o teor da postagem, porém no final a quantidade se tornou bastante expressiva, ultrapassando os 80 comentários. Vale mencionar que todos eram positivos, declarando apoio ao candidato, mencionando outras pessoas para conhece-lo e, também, eleitores em dúvida, questionando-o sobre determinados assuntos, como legalização da maconha, aborto e redução da maioridade penal. No início, nos focamos no histórico do candidato, em tudo que produziu e participou durante sua vida política. Já, no último mês, o posicionamento se tornou mais agressivo, com temas mais urgentes e vídeos semanais, de 15 segundos cada (gravados no celular, direto dos lugares que demandam políticas públicas e ações imediatas). Os vídeos tiveram engajamento muito mais significativo do que qualquer outro conteúdo postado, chegando a ultrapassar 20k visualizações no dia e os 100 compartilhamentos. De todos os canais, a página no facebook foi a que apresentou maior alcance, engajamento e crescimento. No início de junho, a página possuía pouco mais de 3k, ao final da campanha, se aproximava dos 4k. Notou-se também o aumento na participação dos fãs da página, o que compensou o crescimento relativamente baixo. O alcance de usuários únicos também cresceu, de 10k no início de junho para quase 40k na reta final. Além disso, ele foi o único candidato local com participação ativa nas mídias sociais (e o único que o faz há anos). Infelizmente, o candidato não foi eleito, porém conquistou visibilidade regional, aumentou seu eleitorado na cidade e já se prepara para as eleições de 2016. — Relato compartilhado por Yuri Amaral, que utilizou o BrandCare em sua experiência campanha. Formado em Publicidade e Propaganda, ainda na época da faculdade empreendeu diversos projetos. Abriu a primeira loja de quadrinhos de Foz em 2006 e, em 2011, juntamente com um amigo, coordenou uma pequena escola de artes. Se mudou para São Paulo onde, nos últimos dois anos, atuou como diretor de arte de mídias sociais. Atualmente, leciona no curso de Comunicação Social da UDC, em Foz do Iguaçu, PR.

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