“No Outro Site”: as indiretas que os tuiteiros mandam para o Facebook

O Facebook possui uma população de usuários ativos superior a do Twitter. Entre os dois sites existe uma diferença de postura e comportamento médio bem marcantes. Realizamos uma pesquisa sobre como os tuiteiros fazem referências “indiretas” ao Facebook.  Entre piadas e comentários corriqueiros, é possível colher aprendizados sobre as dinâmicas do ecossistema das mídias sociais.

O estudo foi particularmente interessante por ser baseado não na busca pelo termo “Facebook”, mas sim por um termo “indireto”, algo que acontece em monitoramentos de marcas e políticos e é bastante difícil de ser descoberto. Monitoramos, em nosso software BrandCare, os seguintes termos:

termos - no outro site

 

Um tweet típico com a referência ao Facebook nestes termos:

tweet luscaspfvr eventos

No período monitorado (06 a 20 de janeiro), o volume de tweets com as keywords monitoradas variou de 7 a 249 tweets por dia:

Volume de Menções - no outro site

Abaixo, o gráfico mostra os tipos mais comuns de referências ao comportamento das pessoas no Facebook. Em primeiro lugar, usuários do Twitter falando sobre o quanto postagens específicas no Facebook são desagradáveis ou incômodas por determinado motivo. Em segundo lugar, com 15% dos tweets, estão referência a participantes do Facebook, para os quais são impostos alguns comportamentos. Em terceiro lugar, as críticas aos Eventos “fakes” realizados com fins apenas humorísticos e afiliativos.

no outro site - indiretas ao facebook no twitterEntre os tweets da primeira categoria, Postagens, foram frequentes as referências à circulação de notícias falsas no Facebook. O exemplo abaixo ilustra bem:

 

 

doutorcalligari - posts falsos no facebookOs Participantes do Facebook não são poupados também. Diversos usuários estabelecem supostas alteridades, geralmente em relação a seus modos de ver o mundo.

brunovit - usuarios chatos no facebook

Um ótimo exemplo que mostra como o que está em jogo é a noção de alteridade (o usuário do Facebook é “o outro” para estes tuiteiros) são os tweets abaixo:

machismo x feminismo

A terceira categoria de tweets mais frequentes no período foram de mensagens criticando o uso lúdico do recurso de Eventos no Facebook.

no outro site - eventos fakes

De modo geral, grande parte das mensagens tratam de críticas a atitudes vistas como características da plataforma Facebook. Alguns exemplos de tweets do tipo:

no outro site - participantes

Este pequeno estudo permite lembrar de algumas características bem relevantes das mídias sociais:

  • A construção da sensação de comunidade nas plataformas muitas vezes passa pela definição do que é considerado “o outro”. Grupos, nichos e tribos são definidos por suas características, mas elas sempre são relacionais. Apontar particularidades do “não-eu” é comum em posicionamentos políticos (como uso de termos como “petralha” ou “coxinha”), em afiliações a marcas (“macfags”, por exemplo) e, como vimos, até mesmo na consideração do que é particular de cada mídia social.
  • Monitorar apenas o nome de uma marca muitas vezes não é suficiente. Se o estudo fosse realizado buscando o termo “Facebook”, teríamos milhões de mensagens, mas perderíamos este tipo bem particular de comportamento analisado. Os projetos de monitoramento devem ser o mais abrangente possíveis.
  • A utilização de diversas plataformas ao mesmo tempo e a referencialidade entre elas é comum. Analisar o consumidor levando em conta as mensagens que publica em suas várias plataformas (perfis Twitter, Facebook, Google+, blogs etc) é essencial para entender profundamente seu comportamento.
  • A estrutura da rede em monitoramentos do tipo tende a ser bem dispersa, especialmente pelo uso de várias keywords de busca. São mensagens mais espontâneas do que pautadas por influenciadores ou acontecimentos. Mas, ainda assim, a visualização de rede permite encontrar rapidamente as mensagens que geraram disseminação:

rede - no outro site

  • Apesar de existirem variados tipos de acusações quanto ao comportamento dos usuários do Facebook, alguns padrões podem ser percebidos. De modo geral: circulação de boatos; casos de brigas e desentendimentos; demora em acompanhar tendências e “memes”. Não há dados atualizados tão detalhados sobre a distribuição demográfica no Brasil, mas nos EUA o Twitter tem uma população com maior escolaridade média, mais jovem e com maior poder aquisitivo. Então a população do Twitter se vê como diferente ou mais qualificada do que a do Facebook, que representa melhor a população geral “média”. Veja dados da Pew Research:

twitter e facebook demographics USA

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2 comentários sobre ““No Outro Site”: as indiretas que os tuiteiros mandam para o Facebook”

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