Para além das métricas: Como organizar as informações coletadas em uma pesquisa sobre aficionados em ficção televisiva seriada?

[O texto abaixo é uma colaboração do grupo Grupo Geminis UFSCar, que está utilizando o BrandCare graças ao apoio de um plano acadêmico oferecido pela Social Figures]

Em nosso último artigo, abordamos o papel das métricas no ambiente da cultura em rede e a possibilidade de mensurar a participação do público aficionado através de suas práticas. No entanto, o maior desafio começa no momento anterior ao início da coleta de dados: como buscar, organizar e classificar asinformações dispersas nas redes sociais pelos fãs de um determinado seriado audiovisual?

cultura da conexãoNo livro A Cultura da Conexão (Ed. Aleph, 2014), os autores Henry Jenkins, Sam Ford e Joshua Green problematizam, entre diversos assuntos, a dificuldade que os canais de televisão possuem ao mensurar a audiência de seus programas, além de carecer de parâmetros para categorizar a forma de consumo e a participação do público em outras plataformas de mídia. Essas questões estão longe de seremconcluídas, e as possibilidades de respostas mudam muito rápido.Porém, algumas reflexões podem ajudar a trilhar um caminho dentro de uma pesquisa mais específica.

Na abordagem sobre ficções audiovisuais seriadas,tão importante quanto pensar ascaracterísticas de formato ou gênero do produto, éconsiderar como se dásua distribuição em múltiplas telas e em outrasplataformasde conteúdo.Além do canal em que a série é exibida, existem hoje plataformas de conteúdo OnDemand (Netflix, Now, Globosat Play, entre outras) e deve-se considerar que esses produtos estão disponíveistambém para download nas mais diversas formas diversas de compartilhamento pela internet (Torrent, p2p, etc.).

Essa diversificação de janelas de exibição cria uma série de novos hábitos diante do tradicional espectador televisivo e isso reflete imediatamente nos conteúdos produzidos por eles nas plataformas de mídias sociais. Além das postagens consequentes a exibição dos episódios no fluxo televisivo, acompanhado de forma mais abrangente e eficiente pelo Twitter, há ainda os conteúdos que não são necessariamente sincronizados com a exibição da série nos canais televisivos (abertos ou na TV a Cabo), como em comunidades ou páginas criadas por fãs da série no Facebook e em sites ou fóruns especializados sobre o tema.

hbo e gnt

Diante desse cenário tão diversificado de plataformas, obter um mapeamento completo dos hábitos de consumo dessa audiência é uma operação complexa. Uma forma de evitar equívocos na metodologia adotada é fugir da habitual categorização específica desses usuários em diversos níveis, pois dispersos e atravessados por milhares de outros conteúdos, eles sempre demonstrarão formas de participação inconstantes e volúveis. Um princípio mais seguro de pesquisa é pensar apenas nas práticas e nos rastros deixados por eles em relação à série e organizar esses conteúdos de acordo com os objetivos buscados na hora de mensurar os dados: níveis de engajamento, temas evocados pelos usuários, produção de fãs e outros aspectos.

Mesmo diante de tantas mudanças, ainda é necessário ter um problema muito bem definido ao iniciar uma pesquisa com mineração de dados. No entanto, é preciso estar atento:esses mesmos dados podem nos fornecer pistas que é hora de voltar alguns passos atrás e aplicar novos olhares e conceitos na hora de iniciaruma pesquisa.

A pesquisa em andamento é uma realização do Grupo Geminis – certificado pelo CNPq, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som da UFSCar. O grupo desenvolve o projeto de pesquisa ”Laboratório de Pesquisa sobre a Produção Seriada Audiovisual Brasileira para Plataformas Transmídia” , aprovado pelo Edital MCTI/CNPQ/MEC/CAPES Nº 22/2014 – Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas. Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil – http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/1519774412251748.

Prof. Dr. João Carlos Massarolo- UFSCar
Prof. Me. Dario Mesquita – UFSCar
Gustavo Padovani – UFSCar

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